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Notica publicada em 27/08/12 às 10:35:32 hs

Cheiros são 100% emocionais e estão associados a lembranças

Sistema olfativo registra o cheiro, armazena e reconhece o aroma mesmo vários anos depois
Quando você passa em frente a uma padaria e sente o cheiro do pão quentinho que recém saiu do forno, lembra-se de algo? A estudante Greice Ribeiro, sim. Ela revive os cafés coloniais que a avó italiana preparava aos fins de semana. Greice conta que a sensação é tão forte que ela sente como se tivesse viajado no tempo e voltado à casa da avó. 

A ciência confirma a impressão da estudante. A Aromacologia, ramo que estuda as reações no cérebro decorrentes do sistema olfativo, diz que o nariz é uma pequena máquina do tempo, que permite aos humanos, além de recordar fatos do passado, transportar-se de volta a situações marcantes. A viagem cronológica ocorre graças às atividades físico-químicas, no cérebro, e à localização do sistema olfativo: ele está ao lado do sistema afetivo. 

“A Aromacologia investiga como os cheiros atuam no sistema límbico e no hipotálamo, que controlam a maioria das funções vegetativas e endócrinas do corpo”, diz a engenheira química Sonia Corazza, autora do livro Aromacologia, uma Ciência de Muitos Cheiros

Um cheiro nunca é esquecido 

Sonia conta que, assim que se sente um cheiro pela primeira vez, ele fica armazenado para sempre na memória olfativa. É por essa razão que quando você sente um aroma agradável, imediatamente é acometido por uma sensação boa, como se estivesse vivendo a cena na qual o primeiro registro olfativo foi feito. 

A engenheira química explica que o sentido do cheiro influencia de maneira intensa o comportamento humano e provoca reações psicofisiológicas inconscientes de calma, agressividade, saudade, medo, estímulo sexual e tantas outras quantas forem as circunstâncias nas quais o cheiro foi registrado. 

Para o administrador de empresas Pablo Gomes, o cheiro mais marcante é o do perfume que a namorada usava quando eles se conheceram, há mais de cinco anos. A moça já deixou de lado a fragrância floral, mas ele, quando sente o aroma logo se remete ao envolvimento apaixonado do início do namoro. 

Cheiros desencadeiam reações diferentes em cada pessoa 

Considerado um sentido ainda desconhecido, o olfato humano pode distinguir até 10 mil cheiros diferentes, ao passo que o paladar, um dos mais desenvolvidos, pode avaliar somente cinco gostos. Sonia observa que o cheiro não tem decodificação racional e é 100% emocional, o que implica que cada pessoa tenha uma paleta olfativa muito peculiar. Desta forma, cada um pode reagir de forma diferente ao mesmo cheiro. 

Se algumas fragrâncias podem provocar bem-estar e calmaria, como a baunilha e a camomila, outras podem desencadear reações tensas.“Quando se é submetido a um cheiro com sentido ruim, não há como evitar a sensação pesada, porque é impossível controlar o estímulo do cérebro. Mas é possível evitar o contato com a substância que gera o desconforto. Há uma outra dica: pense em algo que proporcione aconchego, como o abraço da mãe ou o beijo do filho”. 



Alguns significados das fragrâncias
 

Baunilha: o sentido remete ao leite materno, o primeiro que o bebê registra. Proporciona sensação de aconchego e proteção, muito usada para acalmar e tranquilizar. 

Lavanda: a fragrância leve pode lembrar momentos felizes da infância e tende a provocar emoções positivas e desencadear bem-estar.

Cítrico: os romanos já sabiam que a casca dos alimentos cítricos auxilia a digestão e costumavam esfregá-la na mesa da cozinha. Hoje, os cheiros cítricos são utilizados, também, para evitar pensamentos compulsivos. 

Florais: associados à sensualidade, os florais são as notas abundantes nos perfumes femininos. O Chanel nº 5, primeiro perfume lançado por Maison Chanel em 1921, e eternizado pela diva Marilyn Monroe ao dizer que dormia vestida apenas com cinco gotinhas do perfume, figura entre os perfumes mais vendidos até hoje. 

Pinho: constitui boa parte das fragrâncias masculinas porque abaixa a temperatura corporal e proporciona uma sensação de frescor.



Fonte: www.unimed.com.br